#24 – Como vai seu Bicho Papão?

Todos têm um Bicho Papão para chamar de seu. Alguns  são bem feios, mas não machucam tanto, outros mais bonitinhos e cruéis, mas olhar para eles sempre provoca algo de incômodo e dor.

É possível passar uma vida ignorando o Bicho Papão particular, mas ele vive em simbiose, grudado em alguma parte nossa e uma hora ou outra aparece. Ainda que seja apenas de relance ele se fará notar em alguma ocasião.

Encarar o Bicho Papão pode tornar-se inevitável em algumas ocasiões da vida. E  nota-se que ele está ali e veio para ficar, porque ele é parte do que sempre fomos. Isto nos provoca incômodo, gera uma antipatia e aquele desejo de que o bicho desapareça. Mas ele não vai embora, quanto mais se tenta fazê-lo sumir, com maior força ele gruda em nós e muitas vezes ele cresce e se torna mais feio.

Uma opção é fingir que o Bicho Papão nunca existiu  e relegá-lo ao esquecimento, criando distrações para fingir que ele não está ali. Mas ele é resistente e fica de prontidão encarando com seus olhos grandes, esbugalhados e assustadores em todas as oportunidades.

Outra possibilidade é enterrá-lo bem fundo, tentando sufocar sua presença com a poeira do esquecimento. No entanto, hora ou outra se fará necessária uma faxina na vida, e sob tanto pó o Bicho Papão estará aguardando, forte e cevado, por que o tempo e o descuido serviram como seus alimentos mais nutritivos. Assim ele despertará cheio de força e  vencerá por nocaute ainda no primeiro round.

Para lidar com o Bicho Papão é preciso um fortalecimento voluntário que só se faz possível encarando-o olho no olho. E isto exige entrega e coragem. É fundamental aceitar que o bicho existe e é parte do que somos. O próximo passo é afrontá-lo  em todas as oportunidades. Mais que isso, é preciso promover os embates com o bicho, seja na terapia ou autoanalise ou numa atividade física. É fundamental escolher a melhor maneira de lidar com o bicho e muitas vezes poderá ser mais de uma opção. É necessário colocar-se disposto a fitar o Bicho Papão até fundo dos olhos. Que aconteça aos poucos, mas com frequência, por que nosso bicho está ali fazendo parte de cada um de nós.

Um dos melhores jeitos para se lidar com o Bicho Papão é percebê-lo, aceita-lo e encará-lo com o máximo de bravura possível. Aos poucos ir criando uma intimidade,  até uma certa camaradagem. No início será puro desconforto, mas com o tempo o bicho se tornará quase familiar.

O perigo de enterrar e ignorar o Bicho Papão é que ele é guloso, come por dentro, nos consome o melhor que há em nós. E o há um grande risco de que quando percebermos o buraco ele tenha se tornado muito grande. Por mais feio e amedrontador que seja nosso Bicho Papão, é estratégico aprender a encará-lo sob o ângulo certo, assim aos poucos ele não se mostrará assim tão horripilante.

 

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