#25 Quem gosta de migalha é pomba.

A autoestima tem tamanho? Provavelmente ela varia ao longo dos dias, das horas. Talvez uma boa medida seja a quantidade de migalhas que se anda aceitando por carência, tédio ou falta do que fazer mesmo. Mas é o seguinte – quem gosta mesmo de migalha é pomba que aceita qualquer grãozinho de milho murcho só para sentir a barriga cheia.

Fome de amor, carinho e aceitação dói, mas só ter a barriguinha cheia com migalhas é pouco. Afinal bocadinhos de qualquer coisa não fazem de ninguém pleno.  Entendo que de grão em grão a galinha enche o papo. Mas pessoas não são galinhas e sentir na alma uma completude de sentimentos é mais complicado que ter o papo cheio de quirera velha.

Cada um sabe de si e aceita o que dá conta. Pode parecer um tanto orgulhoso recusar algumas migalhas que a vida ou pessoas nos colocam. Há situações onde se mostram quase irrecusáveis, seja pelo tamanho da nossa fome ou pelas boas intenções aparentes que vem por trás destas migalhas. Mas é preciso engolir seco, esquecer a fome e dizer não. Por que aceitar o inaceitável rouba pedacinhos da autoestima que custa tanto para ser construída e consolidada.

É preciso reaprender que raspas e restos não interessam e que as coisas boas para nós não vem de grão em grão, mas sim de banquete. Num banquete pode-se escolher entre várias opções, pode-se recusar também, sem que o que dispensamos nos faça falta. O banquete nos mostra várias oportunidades e caminhos e nos é oferecido para que nos transborde diferente das migalhas que mal nos saciam um pouquinho da fome.

Quando se consolida a autoestima é possível entender que o banquete quem em primeiro lugar nos oferece somos nós e cheios de amor próprio nos permitimos sem medo da fome recusar as migalhas e restos que não nos fazem plenos, e que muitas vezes vão mesmo é nos fazer muito mal.

É preciso estar atento às migalhas que por desatenção e carência estamos nos permitindo engolir. Milho velho azeda e dá uma dor de barriga danada. É preciso  erguer a cabeça e lembrar que as migalhas só interessam às pombas. O tamanho da autoestima cada um constrói e preenche com o que tem dentro de si. Para que ela cresça não é possível sobreviver aceitando migalhinhas duvidosas que não saciam nem as necessidades mais básicas da alma.

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