#20 – Mantenha os encostos na posição vertical e a mesinha travada.

A vida às vezes pode parecer com uma turbulência de avião. Dá aquela chacoalhada e sentimos o frio na barriga, pode rolar daquelas descompressões que nos tiram os órgãos do lugar. Algumas vezes a turbulência é tão forte que nos faz girar piruetas e com direito a acrobacias aéreas. Ou ficamos mais perdidos que a Hello Kitty num balão atmosférico sem levar o GPS.

Mas o avião é o meio de transporte mais seguro do mundo, ou assim pelo menos dizem que é e prefiro acreditar sempre nisto a cada decolagem que preciso fazer. O negócio treme, chacoalha, mas não cai e apesar do combo suadouro mais  frio na barriga que uma turbulência nos proporciona, quase sempre, todo mundo chega inteiro no aeroporto de destino.

Na vida, tal qual nos aviões, podemos experimentar voos super tranquilos, em céu de brigadeiro com tudo dando certo, serviço de bordo impecável, tudo azul e quando estamos com tudo prontinho para pousar com o encosto na posição vertical e mesinha devidamente travada, já vendo da janelinha a pista de pouso rola aquela arremetida que só o piloto do avião (ou da nave mãe que é a vida) pode saber por que precisou arremeter. Num instante estamos novamente lançados no ar, dando voltas e voltas até chegar a hora oportuna de pousar no destino com segurança e isso pode ser em um aeroporto totalmente aquém do nosso plano A.

Raros são os acidentes aéreos, quase sempre todos fatais. Mas muitos deles são suspeitos de sabotagem ou conspiração, já que a regra é que avião é seguro, sacode, mas não cai pelo menos não assim por pouca coisa.

Disto, pode-se afirmar que voar pode ser considerado razoavelmente seguro. Já viver é um pouco mais arriscado. Que bom seria se a vida viesse com um sistema de controle de tráfego que pudesse prever os desastres por trombada de aeronaves fora da rota ou com rumos divergentes. Ou ainda como seriam úteis os alertas climáticos de previsão das turbulências, que além de antecedê-las, poderiam também classificar se viriam fracas ou fortes no transcorrer da nossa existência.

Viver não é igual viajar de avião com seus tantos controles e garantias e o mais inusitado, é que na vida ganhamos uma passagem só de ida sem saber qual é o aeroporto onde faremos nosso pouso final. A única certeza é que um dia pousaremos no derradeiro destino, ou seja, um dia vamos todos morrer, sem saber nem onde, nem como, nem quando. Não temos ideia de qual será exatamente nosso tempo de voo ou mesmo quantas escalas ainda faremos até o momento do pouso definitivo.

Aos que como eu também suam frio durante qualquer turbulência ao longo de um voo, lembrem-se que viajar de avião pode ser meio rock and roll, mas a vida é um death metal gutural de uma banda underground finlandesa. Nascemos sem nenhuma segurança, mas com final certo e sem canhotinho na passagem para colocar nossos contatos em caso de emergência. Podemos inclusive passar toda a vida nos esquivando de voar evitando turbulências desnecessárias e fugindo dos desastres aéreos. Mas uma vez neste mundo, viver torna-se inevitável e assim serão também algumas turbulências que viremos a experimentar, ainda que com os dois pés em terra firme. Algumas vezes nos vendo em meio a catástrofes piores que um desastre aéreo mesmo que assustados por todo medo e todo horror notamos que o pior de tudo é que a vida continua. Por esta ser a única opção possível naquele momento e nos vemos obrigados a seguir em frente ainda que doloridos e despedaçados, apesar de tudo.

Voar pode ser tenso às vezes, mas para enfrentar a vida, quase sempre nossa única opção é nos tornarmos fortes e corajosos. E em caso de turbulência forte com despressurização, assim como nos ensinam os comissários de bordo, mantenha a calma (ou tente), respire fundo e lembre-se sempre: Antes de auxiliar outro passageiro, coloque em primeiro lugar sua máscara de oxigênio. Afinal, antes de ajudar o outro, precisamos estar inteiros. Voar é seguro, viver nem tanto. Mas no final, a gente passa pela turbulência, chacoalha, dá pirueta, balança e às vezes até se espatifa e machuca, mas cair mesmo é difícil. E quando a coisa fica feia ainda é possível arremeter antes de chocar-se com o solo. Sempre há a possibilidade de recalcularmos o caminho para uma rota mais segura. Muita coisa pode acontecer até o dia de nosso pouso final. Confie no plano de voo, ainda que com destino incerto e siga por aí, apesar das inevitáveis turbulências.

 

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#19 – 04/02/2017 O que ainda é preciso deixar para trás

Gosto de pensar que estou onde deveria estar e que as coisas acontecem do jeito que devem acontecer independente de desejos e interferências.

Qualquer controle sobre a vida ou em algumas situações é ilusão. Aceitar este fato não é ganhar o passaporte vida loka, deixa a vida me levar vida leva eu, afinal é bacana ter objetivos e planos, mas o que quero dizer é que seguir à risca o caminho para alcançá-los não é garantia de nada. E que algumas vezes, quando andamos muito na linha somos atropelados pelo trem desgovernado que a vida tantas vezes mostra que é.

O que podemos fazer de melhor nesta incerteza, além de ter metas que deem norte aos nossos dias, é o trabalho nada fácil de tentar construir nossa melhor versão, sermos pessoas melhores, seja lá o que ser melhor signifique para cada um. No meu caso, ser melhor é trabalhar para me sentir mais humana, mais próxima dos meus semelhantes no quesito humanidade. Aprender cada dia um pouquinho mais sobre empatia e aplicar isto nas minhas relações, entre um tantão de outras coisas que ainda almejo para ser uma criatura no máximo do potencial que desejo para mim. Mas estas metas são totalmente pessoais.

A pedra no sapato do autoconhecimento e do aprimorar-se é tudo aquilo que precisamos abrir mão e deixar para trás nesta caminhada (caso seja um desejo “ser melhor”). E despercebidamente nos pegamos agarrados a padrões de comportamento e atitudes que não tem nada a ver com a versão melhorada que podemos ter o desejo de nos tornar. Pior, estes comportamentos, nos momentos mais críticos de “vai ou racha” da vida acabam por nos dominar, as vezes completamente e depois vem aquela sensação de vergonha, aquela velha e boa história de por uns momentos, estar fora de si. É, um saco isso, mas acontece.

Como nem tudo está perdido, a parte boa é que trazendo e estes padrões à luz da nossa consciência (que nem é assim tão luminosa), aprendemos um tanto sobre nós e o “serumaninho” que não queremos mais ser, por que se não nos agrada, é por que já não nos identificamos mais com este personagem.

O trabalho agora é parar, desamarrar o tênis, tirar a meia e nos livrarmos destas “pedras no sapato”. Afinal, de hoje até o final de nossos dias, os momentos quebradeira heavy metal da vida sempre existirão, mas como nos comportar diante deles é escolha e trabalho nosso. E no trem da vida, ou cresce ou desce.  E não vale apoiar-se no vitimismo quando vier a culpinha por errar. É aprender a cair para frente e crescer e aprender a perceber o que já não serve mais neste momento de nossas vidas. Parafraseando a diva Elza Soares: Reconheça a queda, mas não desanima. Caiu? Todo mundo uma hora cai. Aprende alguma coisa, levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima!

Saber o que é aquilo que se precisa deixar para trás ao percorrer os caminhos que nos levam a tornar-nos pessoas melhores é tarefa árdua. Até mesmo por que é apenas ao nos depararmos com o que não queremos mais é que percebemos que ainda estamos agarrados a tais padrões e atitudes. Mas é andando pelos trilhos que se encontram os obstáculos. No entanto é preciso ir com cuidado para não andar tão meticulosamente por eles. Afinal, é andando nos trilhos que o risco de ser atropelado pelo trem desgovernado da vida fica maior.

#18 – 28/01/2016 Quando sorrimos para a vida, ela nos sorri de volta (mesmo que o sorriso pareça meio desdentado)

Quando sorrimos para a vida ela sempre sorri de volta. O problema é aprender a reconhecer “os sorrisos” que ela nos retorna. Por que nem sempre o que volta é o que queremos, mas o que a vida nos retorna mais que isso é o que precisamos.

Os “sorrisos da vida” são quase enigmáticos e carecem de um certo tempo e algum amadurecimento para que nossa ficha caia e a gente consiga enfim entender que o que veio foi sempre o melhor para nós.

Pode ser um fim de relacionamento que não funcionava mais, mas que estávamos muito apegados. Pode ser sair compulsoriamente de um trabalho que compensava pela grana, mas que já não nos trazia nenhuma empolgação no dia a dia e nos matava um pouco nos levando a trocar a alma por um salário mensal. Pode ser o filho que planejamos e  que passou do tempo mas que nos abre outras oportunidades na vida de viver, crescer profissionalmente, mudar de carreira ou até mesmo  pensar em adotar uma criança maiorzinha que vai precisar de todo o amor que tivermos para dar quando nos sentirmos de verdade prontos. Podem ser tantos encontros e desencontros com pessoas novas e velhas que nos dão aquele chacoalhão na vida e nos colocam para repensar tudo e talvez dar aquela reconfigurada na rota. Pode ser perder alguém muito querido que se vai precocemente das nossa existência em circunstâncias que nos colocam a reavaliar tudo.

Enfim, podem ser uma infinidade de coisas que nos empurram a mudanças que mais parecem com saltar num abismo de olhos vendados. Os sorrisos da vida não são nada parecidos com a boca cheia de dentes brancos do comercial da Colgate e podem chegar percebidos quase como uma boca desdentada e com bafo de onça.

Viver não é fazer parte do casting da propaganda de margarina. A vida é sertão e pede da gente a força e a serenidade para enfrenta-la e desfrutá-la. Não se pode querer uma moeda que vem com um lado só. Nada na vida é permanente e tudo tem dois lados. Para viver é preciso algo de entrega e muita coragem. Fecho com uma frase de um dos meus livros favoritos.

“O correr da vida embrulha tudo; a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem. Ser capaz de ficar alegre e mais alegre no meio da alegria, e ainda mais alegre no meio da tristeza…” (Guimarães Rosa – Grande Sertão Veredas).

Viva, sorria para a vida sempre e aceite os sorrisos que ela te dará de volta, não importa com que cara eles venham em um primeiro momento.

#17 – 20/01/2017 E a vida segue nas quebradeiras.

Caminhava eu tão cheia de certezas, sentindo- me curada das dores da vida. Tão sã e segura de mim. Mal percebia o que qualquer um, mesmo de longe via, mesmo sem óculos e com grau de miopia elevado.

Eu não queria escutar, mas o barulho ainda faz parte de mim e pior, estou longe de silenciá-lo completamente. Talvez tenha me acostumado a  viver com algum grau de ruído.

Dá uma baita vergonha sentir-se uma folha de sulfite branco quando na verdade se é um pedaço velho de jornal rabiscado. Mas é o que temos para hoje.

Mesmo sendo jornal velho, sigo na luta constante que é formatar o HD para reconfigurar minha história . E embora o ruído ainda faça parte, ele não é maior que meu desejo de me renovar ou que minha vontade do novo. Mesmo que a novidade seja apenas a minha vida fora do barulho, limpa de todo esse passado ruidoso.

Para este novo ano, além do amor próprio que preciso reconquistar diariamente, preciso me permitir soltar alguns grandes e libertadores “foda-ses”. Apertar várias vezes o control +F para muitas pessoas e situações.

Afinal, meu caminho quem escolhe e escreve sou eu e só eu. Seja em sulfite branco imaculado, ou neste jornal velho amarelado que é a vida que eu tenho. E ninguém além de mim sabe o quanto é difícil ser eu e conviver com a minha história de vida. No fim de tudo, os cacos por aqui sou eu quem tenho que colar.

Entre erros e alguns acertos, eu e só eu sei que estou fazendo o melhor que posso. E das minhas dores, lágrimas e lutas, além das  minhas tantas noites insones, quem sabe e e vive sou eu.

E posso garantir que na minha luta constante tenho dado tudo e mais um pouco, fazendo o melhor que eu posso um dia de cada vez. Sinto muitíssimo se às vezes pode parecer que não é o suficiente, mas tenho certeza que tenho feito cem por cento do possível para seguir em frente e sair do que já é passado, mesmo ele se colocando desapercebidamente tão presente às vezes.

Pode parecer insuficiente, mas é o que tenho para agora. Se for possivel observar com carinho e cuidado dá para perceber que não é pouca coisa. Pelo menos para mim não tem sido.

Faz parte da vida mergulhar de cabeça sem saber se a piscina era rasa. Sou campeã em me jogar e em me quebrar. Me espatifo, dói um tanto. Mas nessa vida já me acostumei a ser quebra cabeças de mil pedaços

 

#16 – 19/01/2017  Viver é se jogar e as vezes se quebrar.

 

A vida é um salto olímpico só que às vezes pulamos de cabeça em piscina rasa. E nos jogamos para nos quebrar.Pode ser aquele projeto de trabalho que nos aplicamos  com afinco e não dá em nada além de um monte de problemas e muita dor de cabeça. Ou aquele novo hobbie incrível e muitas vezes caríssimo em que gastamos nosso tempo e energia, só para perceber rapidinho que não era nada daquilo que imaginávamos. Ou então uma viagem dos sonhos que antes mesmo de sair do avião, por uma série de coisas já se tornou um pesadelo.

Há também aquelas histórias de amor que de tão intensas prometiam tudo, mas não dão em nada. Ou aquelas amizades equivocada que pareciam ótimas, mas com o tempo ao invés de acrescentar algo na vida, se mostraram pura perda de tempo.

Tantas vezes nos atiramos com vontade e insistimos muito tempo e energia em situações que não funcionavam para nós e que na verdade só nos machucavam muito. Vivemos um tempo acostumados na dor crônica da cabeça quebrada ou do coração partido.

Outras vezes o mergulho é rápido e intenso, nos despedaçamos de uma vez e então temos que aprender a viver com a dor constante de tentar colar os pedacinhos que se espatifaram de nós por muito tempo.

Quantas vezes a dor foi tão intensa que nos prometemos que por mais quente que esteja o verão, nunca mais nos aproximaremos da piscina. E com medo de doer novamente, vivemos anestesiados, sem nos permitir arriscar nada para evitar a dor a qualquer custo, e nos pegamos vivendo na tristeza crônica que é não sentir mais coisa nenhuma.

E a vida está aí, cheinha das piscinas para nos atirarmos. Acontece que só se descobre se ela é rasa ou funda ou média quando nos jogamos. Não dá para passar a vida toda na beira, vivendo na segurança dos meios termos. Viver ou é ou não é e muita vezes nessa dualidade da vida a gente se quebra. A cabeça, o coração, a cara e as vezes tudo de uma vez.

Já dizia Guimarães Rosa que viver é muito perigoso. E talvez aprender a se jogar com excelência seja qual for a “fundura” da piscina seja parte da vida. A gente se quebra um tanto de vezes e é parte do jogo este constante reemendar-se, juntar nossos cacos que se espatifaram para colar novamente. E com isso nos renovamos e nos tornamos mais fortes.

 

#15 – 18/01/2017 Entre a indigestão e a fome no self service da vida.

 

A vida muitas vezes se apresenta para nós como um grande banquete de possibilidades à serem escolhidas. E entre nós e as escolhas oferecidas está nossa fome por alguma coisa.

Quantas vezes, diante da grande mesa de buffet de self service que é a vida, nos vemos tão esfomeados que nos perdemos e enchemos demasiadamente o prato e ao final da refeição, não damos conta de comer tudo o que escolhemos e precisamos até deixar de lado a sobremesa, por que nos fartamos até a indigestão. Nos perdemos entre tanta comida e indigestos, nos arrependemos de termos comido até o que não nos apetecia tanto assim.

Ou então chegamos no buffet da vida meio sem apetite, deixando nosso prato quase vazio, escolhendo apenas umas poucas folhas de alface meio xoxas, uma azeitona e um pedacinho de palmito. Ignoramos a sobremesa e logo após a refeição que comemos sem muita vontade, nos vemos esfomeados, mas já é tarde e o restaurante fechou.

Além disso, há situações onde entre tantas opções fica difícil escolher o que colocar no prato. Às vezes entre tanta escolha é complicado saber o que realmente se quer comer.

Entre a indigestão e a inapetência é preciso aprender quais são as melhores escolhas para o gosto e tamanho do nosso apetite. Quais as escolhas essenciais para o nosso prato do dia? Afinal o essencial depende muito do nosso gosto e gosto não se discute.

Para alguns é essencial comer filé mignon todos os dias. Há outros que ficam contentes e realizados comendo paleta e isso não significa que uma escolha seja melhor ou mais certa que a outra. Escolha é questão de preferência, gosto. E cada um é livre para escolher o que é melhor para si.

Se gosto de coxão mole, não sou mais nem menos que o amigo para quem o bom e justo é farta-se de picanha todos os dias, afinal gosto não se discute.

Há lugar para todos no banquete da vida. Desde os apreciadores de carnes nobres, aos essencialmente vegetarianos. O banquete está colocado e cabe a cada um escolher o que melhor lhe apetece no momento. Eu há tempos deixei o filé de lado e hoje me farto com um belo prato de brócolis fresco. Atualmente na minha vida, não faz o menor sentido escolher o filé.

Na fila do self service é preciso ter algo de autoconhecimento para saber optar pelo que nos caberá melhor no prato. Não importa se a escolha que o colega da frente fez parece mais certa e apetitosa, pois pode ser algo que não se encaixa bem dentro da combinação do nosso prato e certamente nos dará uma baita indigestão.

Diante das escolhas do buffet da vida, em meio à variedade, é preciso aprender o que ao nosso prato é essencial, o que em determinado momento nos apetece e nos é indispensável para ficarmos satisfeitos.

Aprender a escolher o essencial é aprender a escolher com simplicidade. Não encher vorazmente o prato e fartar-se até passar mal e não se colocar com inapetência diante do buffet  de escolhas da vida e logo estar esfomeado batendo na porta do restaurante que já fechou.

É preciso saber quais, para nós são as melhores escolhas entre o que mais nos apetece diante das tantas possibilidades e então nos servir das quantidades mais ou menos exatas para o tamanho da nossa fome. Assim poderemos passar pelo banquete que é a vida plenos e bem alimentados, aproveitando a salada, o prato principal e sempre com espaço para desfrutar a sobremesa.

#14 – 16/01/2017 Perdido na marginal com waze bugado

Quando entre os descaminhos da vida a gente se reencontra do meio da confusão, descobre-se o quanto é bom ser feliz consigo. Mas o reencontra-se tem também seu lado sombra, que é aquele medinho que dá de se perder de novo.

É uma luta diária para entender o que é barulho e o que é a calma. O quanto do que se faz é fruto dos desejos e ambições próprias ou se é um deixar-se levar por uma história ou caminho que não é o escolhido. Ou se o rumo tomado não pode ser uma trilha errada que invariavelmente nos afastará de quem somos. Cada plano feito e cada mudança de rota pede por reflexão.

É possível que o “waze da vida” nos coloque em situações nas quais seja preciso recalcular a rota e pior, com um plano de dados bem ruim, sem 4G, no máximo com um 3Gzinho bem sem vergonha. É parte do jogo, por que viver é uma novela sem roteiro definido e às vezes o roteirista das nossas histórias esqueceu-se de tomar o remedinho e nos coloca em episódios onde nos vemos com o waze bugado no meio da Marginal Tietê sem saber oncotô e proncovô e pior, quemcosô, ou qual saída pegar.

O importante é segurar na cordinha da reflexão diária, para tentar não perder muito o rumo. Meditar também ajuda a diminuir o barulho e dar aquela reorganizada por dentro. E não esquecer de que o lado sombra está ali, pronto para nos colocar em dúvida sobre os caminhos tomados. E que bom, por que se todos os caminhos fossem certeza, a aventura de viver acabaria e é certo que morreríamos todos afogados pelo tédio. Perder-se é parte de crescer, e torna o reencontra-se tão gostoso e especial. Saber o que se quer dos caminhos da vida pode ser um pouco nebuloso. Mas quando nos perdemos e temos a chance de nos reencontrar um pouquinho que seja e vamos aprendendo o que não queremos mais para as nossas vidas. E saber o que não queremos já pode ser meio caminho para pegarmos a trilha de algo que queremos, mesmo com a novela escrita por um roteirista maluco e sem desfechos definidos.