#6 – 06/01/2017 Não enxergue hortências onde só há o esterco!

Se tem cheiro de merda, cara de merda, gosto de merda, não babe, não são hortências. Enfim, a coisa fedeu? Não há caminhão pipa de Chanel n° 5 que resolva.

Às vezes o mau cheiro vem aos poucos, outras a gente sabe que sente, mas abafa com aquele perfume que a tia trouxe do free shop na última viagem. Pode acontecer de termos um um desvio de septo  grande aí passa uma vida até perceber. Ou já nos deixamos afundar tanto que o cheirinho ruim já nem incomoda.

Relacionamento bosta, quem nunca entrou que atire a primeira pedra. Pode ter durado alguns anos, meses ou meia dúzia de dates. Acontece, afinal relacionar-se faz parte da vida. E não se resume apenas àquelas relações onde nosso objetivo é o de talvez um dia juntar as escovas de dentes, mas pode rolar entre amigos ou familiares também.

Mas por favor, se você perceber a catinga emergindo, não veja rosas onde só existe o esterco. Tá, a gente tende a idealizar uma vida junto, uma história bonita, quer por que quer acreditar que o ser fedegoso é “a pessoa” da nossa vida. Pior, nos apegamos à idealização e por culpa deste maledeto apego ficamos medrosos de tomar atitudes para colocar este ser a uma distância saudável (o que pode significar cortar relações, pelo menos por um tempo) e perder o grande príncipe encantado salvador das nossas pobre vidas sem sentido.

E honey, isso tudo não passa de uma grande bobagem. E pior, tempo perdido, esforço desperdiçado e tudo à custa de um coração cada vez mais partido e machucado (é xuxu, o seu, o meu o nosso!).

Nada nesta vida loka é para sempre, tudo é impermanência. O que funcionou hoje, pode não funcionar mais amanhã. Ficar estagnado é prender-se e água parada apodrece. Assim também são os sentimentos e os relacionamentos. Não existe o felizes para sempre. Existe o felizes por um tempo, que pode ser muito, pouco ou não ter sido. E se não foi é por que não era. Acontece. A receita é sentir gratidão pela oportunidade, beijinho no ombro e não me liga (pelo menos até isto não te fazer mais mal) e vida que segue.

O que um dia foi amor, também se esgota, por mais que a gente se apegue, o amor já pode não ter lugar ali faz tempo. Sobram as brigas, a rejeição, as disputas de poder entre tantas coisas feias, e olha, isso não é mais amor. É hora de dizer tchau, cuidar de você e seguir no fluxo da vida. Por que quando ficamos nessa muito tempo chega uma hora que não é só o sentimento, a relação, mas a gente também se esgota. Às vezes se esgota tanto que não sobre mais nada, a gente perde o amor próprio, a autoestima, o rumo e viramos um “walking dead zumbi do amor” perambulando pela vida por puro apego.

Se este for o seu caso, talvez seja a hora de respirar, juntar toda aquela coragem power rangers foda que tem aí dentro de você e sair da fossa fedorenta da estagnação. Tudo o que posso oferecer, além desta reflexão é a minha mão. Pega firme nela e vem comigo. Eu sei que não parece, mas tudo vai ficar melhor se você desapegar e deixar a vida fluir. Vem!

 

 

 

 

 

#5 – 05/01/2017 Chega de tentar colar os pedacinhos

Band-aid não cola coração partido, nem relacionamentos estilhaçados. Fita crepe também não resolve e na maioria das situações, nem o super bonder mesmo sendo super e todo poderoso dá um jeito. Às vezes é preciso admitir que não há mais conserto e os sentimentos já não podem mais ser remendados. E não precisa ser fã do Guilherme Arantes para entender que remendos pegam mal, ou que adeus foi feito para se dizer (prefiro a Tiê cantando!). Não é fácil desapegar e sair das situações cíclicas. Mas também não é bom viver como um boneco de trapos ambulante de tanto retalho emendado com linha frouxa. Dói nos ossos e na alma parar de idealizar e finalmente colocar nomes (e fins) nas coisas. Mas que seja rápido, como arrancar um esparadrapo grudento deixando tudo doer de uma vez, por que aos poucos é muito pior. Nem que para desapegar seja preciso anunciar na OLX ou doar para a Cruz Vermelha.

Não dá pra viver dourando a pílula para sempre, tentando embelezar acontecimentos feios e atitudes horrorosas com palavras suaves e bonitas. Não é legal ficar estagnado, congelado na bolha da indecisão ou da insegurança, por que a Terra segue girando sobre si mesma por 24 horas e em torno do Sol por 365 dias. A vida estaciona, mas Cazuza já gritava para quem quisesse ouvir desde 1988 que “o tempo não para” e já dizia Michelangelo ( que nasceu antes de o Brasil ser descoberto) “não há dano maior que o tempo perdido”. Não perca seu tempo, não deixe o outro gastar seu tempo com algo de que você não tem certeza. E se lá no nas profundezas bem profundas do sertão do seu coração você sentir que está perdendo tempo, corra Lola corra. Faça seu cadastro na OLX, coloque este amor bandido à venda no Mercado Livre e siga a vida. Mesmo com dor e em pedaços, siga. Abra-se aos recomeços por que a vida pode ser boa e tudo o que ela espera é a nossa atitude de seguir em frente

 

#4 – 04/01/2017 Abrindo os caminhos

Não sei para onde vou, sei apenas que estou indo. E que meu caminho, quem constrói sou eu.

Minha estrada é feita a partir dos meus sonhos e assentada em uma miríade de novas possibilidades. Pavimentada diariamente por autocuidado e amor.

A caminhar por esta senda ao longo dos dias percebo que hoje estou melhor que ontem e que amanhã estarei ainda melhor. Vivo dias de redescobertas e oportunidades de conhecer aquela que estava ali e eu já não percebia. E que imenso prazer é voltar a reconhecer um pouco do que é ser você mesmo quando se esteve separado de si por muito tempo.

Ao aceitar o desligamento de uma vida que se baseava em uma idealização bonita, mas que  na realidade era mais triste que feliz, abre-se o espaço necessário para a aceitação de outra vida que é possível, a minha vida.

Quando alcancei o entendimento de que a vez agora é de cuidar desta vida que é a minha, olhei-a com atenção e carinho e constatei que ela é tão mais interessante e rica que àquela idealizada e sustentada pelo apego desesperado.

Olhando com amor para a vida que tenho, percebo este presente que antes não me permitia observar, cega por um ideal que talvez nem mesmo me servisse.

Hoje olho com clareza esta caminho que se desdobra tão rico de oportunidades na minha frente e entendo que é para frente que se anda. Sigo apegada ao amor próprio e confiante que quando tropeçar não me deixarei esquecer que em primeiro lugar o autocuidado e assim me torno forte e confiante para ir adiante.

Para onde vou? Não sei, mas vou confiante de que posso ir longe e para frente. Agora sei que meu caminho quem escolhe e constrói sou eu. Fui.

#3 – 03/01/2017 Comece limpando os olhos

Quando se entra no propósito do amor próprio e da autocompaixão há um momento onde parece que se tiram uns óculos embaçados, onde a vista torna-se limpa e clara. Não há mais lugar para a angústia e o medo e vem uma sensação de ser o que de fato se é. Ou o que deveríamos ser, mas já não éramos mais.

Quando nos tornamos destituídos de  amor próprio e a autocompaixão não tem lugar, há uma tendência  ao isolamento e ao esvaziamento de quem um dia fomos. Não temos mais nada a oferecer por que estamos vazios de nós mesmos. Toleramos o absurdo, aceitamos o inaceitável, acreditamos em qualquer coisa, por que precisamos nos apegar a algo, mesmo que seja uma grande mentira, mesmo que isto tudo só nos esvazie mais de quem um dia fomos.

E relegados ao vazio nos perdemos completamente de nós mesmos, buscando o amor onde este não existe. Apartados do que fomos, esquecemo-nos de que somos seres dignos e merecedores de amor e cuidado, porque, neste ponto, de amor próprio já não há nada.

Mas sempre existe uma luz no fim do túnel e quando exaustos de sofrer da falta de amor lembramos que amor próprio é possível e bom, começamos a limpar aos poucos a sujeira das vistas. Voltamos a sentir a presença do eu que esquecemos que um dia já fomos. E que delícia este reencontro que é o cair em si e redescobrir-se. Quantas possibilidades de se amar, cuidar e ser feliz. É partindo de este primeiro limpar as vistas que tudo começa e nos permitimos tornar novamente seres cheios de amor e oportunidades.

A visão anda turva? O céu está cheio de nebulosidade? Esfregue os olhos e comece por ser amável, gentil e paciente com você. Mergulhe na autocompaixão e aos poucos deixe o amor próprio agir como colírio e raio de sol que afasta aos poucos as nuvens carregadas de tristeza e raiva

#2 – 02/01/2017 – Dê um rolê

Há dias ótimos, há dias bons, há dias ruins.

Esta é uma mensagem para os dias ruins. Aumente o som e cante comigo: “Não se assuste pessoa, se eu lhe disser que a vida é boa.”

Isto pode não fazer nenhum sentido agora, mas é verdade. Está tudo ruim? O turbilhão da dor te sugou? Vestiu a carapuça da vítima? Mergulhou de cabeça na rejeição e no abandono?

A vida pode ser boa. Lave o rosto e libere-se para cuidar de você. O primeiro passo é sair do estado de autoabandono. As coisas estão realmente muito ruins? Faça um chá, um café, dê um tempo. Ninguém pode nos salvar além de nós mesmos. Ninguém pode nos salvar de nós mesmos. Chore, tenha raiva, quebre algumas coisas se precisar. Coloque seu lixo para fora. Depois pare, respire, dê um rolê, por que o movimento ajuda a reciclar as ideias.

Lembre-se de que sempre é possível encontrar o acolhimento no amor próprio. Talvez este seja o único acolhimento disponível no momento, e tudo bem que seja assim. Busque seu amor próprio. Se ele estiver muito difícil de achar, comece por cuidar de você. O que gosta de fazer para preencher o tempo? Que atividade te traz alegria? Permita-se um tempo, dê uma oportunidade ao autocuidado. Tente por cinco minutos, uma hora, só por hoje.

Não se abandone ao sofrimento. Peça ajuda e principalmente aceite ajuda. Às vezes nos sentimos tão distanciados do amor próprio que não nos permitimos enxergar a mão amiga que está ali para acolher. Permita-se aceitar, deixe-se cuidar. Busque a melhor maneira de cuidar de você. Pare, respire, dê um rolê. Aceite que a vida pode ser boa se você se relevar. Mesmo nos dias difíceis, permita-se ser o “seu amor” da cabeça aos pés.

#1 -01/01/2017 Feliz vida nova!

Este ano novo decidi que iria começar de vermelho da cabeça aos pés. Vermelho para chamar “o amor”, por que descobri que preciso e mereço muito amor. Este amor que me desejo para 2017 é o amor próprio que perdi em alguma virada de esquina da vida nos últimos anos e aos poucos estou redescobrindo. Não sei em que ponto perdi ou esqueci meu amor próprio. Só sei que já não me amava mais e me abandonei. Desamparada e não amada, busquei amores errados em lugares equivocados. Um dia me vi afogada num mar revolto de desamor e auto-abandono apegada a destroços de um barco naufragado. Deixei-me maltratar, machucar e ser rechaçada  em minha busca por um amor que procurava em terras áridas de afeto, onde por algum tempo me enganei, por não querer enxergar a rejeição.

Um dia desses cansada de tanto lutar mar adentro, decidi desapegar dos destroços e com muito medo, me deixei levar pelas ondas. Não me afoguei, não morri e me vi em uma praia calma de areias brancas. Neste lugar aos poucos me permiti vislumbrar e reencontrar meu amor próprio. Descobri que este é o melhor e mais fundamental tipo de amor, por que é meu e só depende de mim. Pude ainda perceber que antes de qualquer outra coisa é imprescindível que eu saiba me amar.

Neste novo ano decidi que tenho que priorizar o amor próprio e o autocuidado por que sou merecedora de amor e afeto. Minha promessa e meu propósito para o ano que inicia é a busca diária por este amor. Posso me perder as vezes, posso ter dias ruins, mas nada melhor que um dia após o outro e a consciência de perseguir o propósito de cuidar e amar a pessoa mais importante do mundo para mim, que sou eu mesma.

Desejo à todos muito amor em 2017, principalmente muito amor próprio. Outros amores, serão consequência, mas a busca pelo amor próprio é propósito de vida.

Finalizei 2016 com esta canção do Tim Maia e uma proposta: “Você” pode ser eu! Que tal pensar que esta música significa um reencontro? Que saudade doída é a saudade de perder-se de si mesmo! Mas hoje estou aqui e sou tudo para mim!